
Oportunidade é uma palavra decididamente otimista, positiva, que nos remete àquele momento ideal em que tudo é possível. No entanto, também apresenta um lado sombrio ao aliar-se frequentemente ao conceito negativo de crise. Essa dualidade parece uma condição indispensável para conseguir delimitar o valor da oportunidade como inversamente proporcional ao de sua crise oposta. Nesse sentido, a proposta da VAD não poderia ser mais relevante em um momento em que nos deparamos, como sociedade, com uma das maiores e mais universais crises de que se tem memória.
Houve inúmeros exemplos na arquitetura do sucesso da dialética crise-oportunidade. A crise que as teorias de Malthus poderiam desencadear motiva Fuller a definir a Ephemeralization, uma oportunidade para criar um mundo melhor e mais solidário. De forma mais geral, se aceitarmos uma visão linear e, portanto, simplificada da história da arquitetura dos últimos dois séculos, podemos compreender os movimentos que se sucedem ao longo deles como consequência dessa mecânica dual.
Assim, a crise de identidade do/a arquiteto/a, "expulso/a" da escola de belas-artes e confrontado/a com a revolução tecnológica da era pós-industrial, pode ser vista como o detonador do movimento moderno. Modernidade cujos princípios, por sua vez, entram em crise durante a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial, dando a oportunidade à pós-modernidade de aliar arquitetura e neoliberalismo. A arquitetura dos últimos anos do século passado é definida por inúmeras posturas individuais, em oposição ao nascimento de grandes causas universais, entre as quais se destacam a sustentabilidade e o feminismo.
