ARQ 100 Cem

Será que tudo realmente merece ser publicado e preservado? Não será que publicamos, na verdade, pela ansiedade de nos inserirmos em uma história maior, com a vaga esperança de que o futuro se fixe no que fazemos hoje? O excesso de publicações deve ser confrontado diante da impossibilidade matemática de que tudo valha a pena. Naturalmente, isso nos inclui. Nesta época da suspeita, como a definiu Boris Groys, a crítica – e, sobretudo, a autocrítica – é um dever intelectual. Este é o espírito que marca esta edição número 100 da ARQ. Pois, apesar da pulsão por celebrar, não podíamos deixar de nos perguntar: o que teríamos a celebrar? A mera sobrevivência?

Claramente, não é assim, e é isso que nos motiva. O pior que pode acontecer a uma revista de arquitetura é que o/a leitor/a a folheie apenas para confirmar que tudo continua como está. Ou seja, que em suas páginas ela ecoe o senso comum ou a tendência da moda e, após folheá-la, o/a leitor/a a deixe onde estava. Assim como para Bourdieu o papel da ciência consistia em discutir o senso comum, a ARQ deve superar o lugar-comum e entrar em territórios desconhecidos.

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Cita: "ARQ 100 Cem" [ARQ 100 Cien] 14 Mai 2019. ArchDaily em Português. (Trad. Valencia, Nicolás) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1045299/arq-100-cem> ISSN 0719-8906

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