Adaptabilidade vital: hospitais de campanha no contexto da pandemia

A cidade sempre foi um palco de transformações. Mudam-se os direcionamentos, os fluxos, as formas como as pessoas se apropriam dos espaços, alteram-se os desejos, surgem novas demandas, novos lugares. Tal abundância, ao mesmo tempo em que permite um caráter inovador e mutável à cidade, tende também a exigir da arquitetura uma flexibilidade programática e estrutural. No último ano, especialmente, pudemos acompanhar – em vertiginosa velocidade – grandes mudanças nas cidades e nos seus espaços. A pandemia trouxe consigo novos paradigmas, desestruturando repentinamente ordens há muito estabelecidas. As casas viraram escritórios, os escritórios viraram desertos, hotéis deram lugares a leitos médicos e estádios se transformaram em hospitais. A arquitetura, em meio a tudo isso, teve de mostrar sua flexibilidade abrigando usos que antes eram inimagináveis. Uma adaptabilidade que parece ser cada vez mais a chave para a criação de espaços coerentes com o modo (e a velocidade) como vivemos.

Arquiteturas abertas: como projetar para a mudança de usos?

Por necessidade, edifícios mudam de uso ao longo do tempo. Igrejas passam a ser bibliotecas, armazéns abandonados são transformados em centros culturais. Embora muito tenha sido escrito sobre o assunto, desde o conceito de open building de N. John Habraken nos anos 70, há, hoje, um interessante debate global sobre isso em curso. É necessário ter tantos metros quadrados dedicados a escritórios quando, com a pandemia, percebemos que muito do trabalho pode ser feito remotamente?

Como interferir na arquitetura preexistente? Reabilitações projetadas por grandes arquitetos

A responsabilidade perante o uso e consumo de recursos naturais e os impactos da construção civil tem sido uma pauta constante nas discussões do campo da arquitetura e do urbanismo. Se no passado as ideias de “tábulas rasas”, demolições em massa e novas construções eram aceitas e incentivadas, hoje em dia parece haver uma transformação no cenário, no qual se faz necessária a discussão sobre reutilização, reuso adaptativo e reformas, partindo e utilizando daquilo que é existente. Neste texto propomos um olhar atento à como grandes arquitetos interagem com construções pré-existentes em seus projetos, a partir da análise de alguns casos.  

Arábia Saudita transformará plataforma de petróleo desativada em parque de diversões

O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita anunciou que vai converter uma antiga plataforma de petróleo no Golfo Pérsico em parque de diversões de 150 mil metros quadrados. Chamado de THE RIG, o projeto de reabilitação será o primeiro resort do mundo construído sobre uma antiga plataforma de petróleo e contará com três hotéis, onze restaurantes, montanhas-russas e áreas para a prática de esportes radicais, como bungee jumping e paraquedismo.

Os shopping centers de hoje serão nossas casas amanhã?

Dizem que os shopping centers e as galerias comerciais, outrora tão frequentadas, estão com os dias contados. Embora em grande parte, a forma como costumávamos consumir tenha mudado consideravelmente ao longo dos últimos anos e sobretudo após o início da crise sanitária de Covid-19, com muitas lojas passando a operar apenas no mundo virtual, parece que muitas das mudanças que a pandemia nos trouxe chegaram para ficar. À medida que as nossas cidades continuam a crescer a um ritmo bastante acelerado, e os grandes centros comerciais e shopping centers—por outro lado—permanecem vazios e ociosos, há uma pergunta a se fazer: existe alguma possibilidade de transformarmos estes ambientes de consumo em moradia para aqueles que mais necessitam?

Repensando espaços sagrados para outros usos

Na esteira dos recentes incêndios na Catedral de Notre-Dame em Paris e na mesquita Al-Aqsa em Jerusalém, vimos muitos profissionais propondo novas maneiras de reconstruir esses espaços sagrados, abrindo-os para novas possibilidades.

Historicamente, após o declínio da Igreja Católica e a crescente diminuição no número de fiéis em várias regiões da Europa e América do Norte, os custos de manutenção dos espaços sagrados levaram ao eventual abandono de igrejas, santuários e mosteiros - frequentemente obras de grande valor histórico e arquitetônico.

Isso abre uma nova oportunidade para profissionais da arquitetura resgatarem e recontextualizarem o patrimônio histórico representado por estes edifícios. A seguir, apresentamos 15 exemplos de reuso adaptativo em igrejas antigas que foram transformadas em hotéis, casas, museus, bibliotecas e outros espaços culturais.