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Arquitetos: LUO studio
- Área: 73 m²
- Ano: 2025



Durante o mês de julho e até 19 de agosto, a galeria Aedes – Architecture and Space em Berlim apresentará a exposição "A Structure of Feeling: On a New Generation of Architects in China". Fundada em 1980, a Aedes é uma instituição cultural sem fins lucrativos. Com foco nas interseções entre arquitetura, cidade e sociedade, sua programação pública contínua já apresentou cerca de 600 exposições ao longo de mais de quatro décadas de atuação. Em 2001, o espaço apresentou TUMU, uma exposição que chamou a atenção internacional para uma geração de jovens arquitetos/as chineses/as independentes. Vinte e cinco anos depois, "A Structure of Feeling" exibe o trabalho de uma nova geração que atua sob condições distintas. Nove escritórios estão representados por meio de doze projetos que transformam a malha urbana existente, o desenvolvimento rural e as formas contemporâneas de produção espacial.


O que define a atmosfera de uma casa? Para além das paletas de materiais e da luz natural, o som desempenha um papel decisivo na forma como os espaços são percebidos e habitados. A reverberação dos passos sobre a pedra, a calmaria atenuada de um cômodo revestido de tecidos ou a maneira como a música se propaga por um interior em plano aberto moldam a identidade sensorial do espaço doméstico. A arquitetura não é vivenciada apenas visualmente, mas também acusticamente.
O conceito de "paisagem sonora" descreve essa relação entre as pessoas, o som e o ambiente construído. Na arquitetura residencial, o som vai além do ruído de fundo ou do desempenho técnico; ele influencia a privacidade, a concentração, o descanso e o conforto emocional. A geometria e a materialidade atuam como os principais condutores acústicos: enquanto o concreto, o vidro e a pedra refletem e amplificam, a madeira e os estofados suavizam e absorvem. Alturas de pé-direito, fluxos de circulação e proporções dos cômodos moldam ainda mais a maneira como o som se propaga e se dissipa pelo espaço.
Zhu Pei é um arquiteto chinês nascido em 1962 em Pequim. Estudou na Universidade Tsinghua e na UC Berkeley, e fundou o Studio Zhu Pei em 2005. O trabalho experimental e as pesquisas do escritório têm como foco a arquitetura contemporânea, a arte e os projetos culturais. Com uma abordagem artística e exploratória, o estúdio investiga a relação entre as raízes que ancoram a arquitetura em contextos naturais e culturais específicos e a inovação que a impulsiona como uma forma de revolução artística. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, Zhu Pei descreve a arquitetura como uma disciplina artística que, assim como a poesia, depende da abertura, da imaginação e da criação de novas experiências. Ele argumenta que a grande arquitetura vai além da resolução de problemas funcionais ao gerar um senso de maravilhamento por meio de sua capacidade de "inventar" e "criar algo novo, uma nova experiência", posicionando a prática arquitetônica como uma exploração cultural e sensorial, em vez de uma produção puramente técnica.

A criação de um lugar não é, em princípio, algo difícil; basta que as pessoas se reúnam em um local fixo e regular para um propósito ou atividade, e um espaço passa a existir. Isso não desconsidera o fato de que um elemento físico precisa acompanhar esse encontro para que o espaço se torne acolhedor, receptivo e atraente. Essa ideia de um espaço que surge a partir de uma intenção pode ser vista claramente em uma das funções mais antigas da humanidade: os mercados de alimentos e produtos locais.
Para que um mercado exista, o elemento arquitetônico pode ser tão simples quanto uma cobertura leve, que abrigue os/as comerciantes e ofereça um limite implícito ao lugar, ou pode ser tão engenhoso quanto a reutilização adaptativa de um edifício ou terreno existente para atender a novas necessidades. Por fim, pode ser uma estrutura temporária e leve, montada para determinados eventos ou necessidades e depois desmontada para ser utilizada em outro lugar ou para outros fins.


Em grande parte da China, o concreto continua sendo o material de construção predominante. Apesar das crescentes preocupações com seu impacto ambiental, o concreto segue alinhado às prioridades de incorporadores e clientes — por ser rápido, econômico e altamente durável. Como resultado, a maioria das tipologias edilícias na China ainda depende fortemente desse material. Essa dependência é ainda mais reforçada pela posição do país como o maior produtor mundial de cimento Portland. Uma cadeia de suprimentos profundamente consolidada, enraizada na fabricação de matérias-primas e na infraestrutura econômica, garante que o concreto continue sendo a escolha padrão do setor da construção.
Historicamente, contudo, a arquitetura chinesa se desenvolveu sobre uma rica tradição de construção em madeira. A Cidade Proibida é um excelente exemplo: além de ser emblemática para o patrimônio arquitetônico do país, ela abriga uma das maiores e mais bem preservadas coleções de estruturas de madeira antigas do mundo. Esse legado levanta uma questão crucial: a construção em madeira tem um futuro viável e significativo na indústria contemporânea da construção na China?

Shenzhen é a primeira Zona Econômica Especial (ZEE) da China, servindo como uma janela para a Reforma e Abertura do país e como uma cidade de imigrantes em ascensão. A cidade evoluiu para uma metrópole internacional influente e moderna, criando a mundialmente famosa "Velocidade de Shenzhen" e conquistando a reputação de "Cidade do Design". O projeto arquitetônico se destaca como a expressão mais intuitiva do espírito de integração e inovação de Shenzhen. Ao longo da última década (2015-2025), o desenvolvimento da arquitetura urbana em Shenzhen integrou-se estreitamente ao seu caráter urbano aberto e inclusivo, às suas vantagens ecológicas de estar situada entre as montanhas e o mar, e ao espírito local de fundir a cultura tradicional com a tecnologia inovadora, revelando o charme singular e a forte vitalidade de Shenzhen sob múltiplas dimensões.

Transcendendo o papel de mera infraestrutura, as pontes há muito servem como potentes manifestações arquitetônicas. Esse potencial expressivo está sendo explorado agora com vigor renovado em todo o Sudeste Asiático, onde um número crescente de arquitetos e arquitetas está reavaliando os materiais tradicionais. Ao priorizar a madeira e o bambu, esses/as profissionais criam estruturas singulares que integram o artesanato local às demandas contemporâneas, resultando em marcos urbanos que são, ao mesmo tempo, funcionais e profundamente enraizados em suas paisagens.
