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Arquitetos: Marcela Carranza Arquitectura
- Área: 268 m²
- Ano: 2023


Em climas temperados e frios, a arquitetura geralmente começa com um gesto defensivo. A envoltória do edifício é um limite vedado, projetado para resistir ao ambiente externo por meio de isolamento, barreiras de vapor e controle mecânico.

A Costa Rica é um pequeno país da América Central, internacionalmente reconhecido por seu turismo, biodiversidade e clima tropical. Diante deste contexto, as estratégias de design tropical voltadas ao projeto hoteleiro costumam ser mais estudadas, mas projetos de cabanas residenciais podem representar uma abordagem mais cirúrgica para a compreensão da paisagem. Muitas vezes situadas em áreas florestais ou de selva remotas, essas cabanas, além de incorporarem as estratégias comuns de design tropical, precisam priorizar a durabilidade de longo prazo e os baixos custos de manutenção, sobretudo em regiões onde o acesso para reparos é logisticamente complexo. Isso exige uma filosofia projetual que privilegie a resiliência tanto estrutural quanto climática.
Construir nesse contexto requer respostas de projeto precisas a dois principais estressores ambientais: a precipitação extrema e a alta umidade. O clima tropical da Costa Rica, embora varie conforme a altitude, geralmente apresenta uma média mensal de chuvas superior a 150 mm em várias regiões. Essa carga constante de água pode criar o efeito de "bulbo úmido", no qual o ar estagnado e saturado acelera a degradação dos materiais internos e causa desconforto fisiológico aos habitantes. Para projetar de forma eficaz sob tais condições, a arquitetura contemporânea de cabanas adota uma estratégia tríplice: intervenção mínima no terreno, criação de gradientes térmicos e mitigação climática passiva.

Em toda a América do Sul, o conforto ambiental é compreendido não como uma condição interna estática, mas como algo moldado através do espaço. Em regiões marcadas pelo calor, umidade, luz solar intensa e variações sazonais, a arquitetura há muito tempo se apoia em decisões espaciais para amenizar o clima e acolher a vida cotidiana. O conforto surge da maneira como os interiores são abertos, sombreados, ventilados e habitados ao longo do tempo.
Em vez de isolar os espaços internos de seu entorno, muitos projetos contemporâneos na região cultivam o conforto por meio da profundidade, da porosidade e de zonas intermediárias. A luz é filtrada, e não maximizada; o ar é direcionado por aberturas alinhadas e vazios; e os limiares se transformam em espaços ativos de uso, em vez de bordas residuais. Tais estratégias não buscam um controle ambiental uniforme, mas produzem interiores que permanecem amenos, adaptáveis e intimamente sintonizados com as mudanças nas condições climáticas. Nesse contexto, o conforto ambiental torna-se indissociável da experiência espacial.

In no coastal and jungle regions of Costa Rica, high humidity and intense solar radiation dictate an architectural strategy centered on permeability rather than enclosure. Unlike the airtight envelopes required in cold climates to retain heat, Costa Rican architecture uses the building envelope as a climatic filter to maximize air exchange. The primary mechanism for managing these thermal gradients seems to be the oversized roof overhang. By extending the roof plane significantly beyond the floor plate, architects create a permanent buffer of deep shade that reduces solar gain and lowers the ambient temperature before air enters the structure. This strategy, combined with permeable or non-existent walls, allows for constant airflow. This is a critical technical requirement for humidity control and the prevention of material degradation through mold and rot.

Como proteção contra as baixas temperaturas, os tapetes surgiram há cerca de 3.500 anos e, com o passar do tempo, tornaram-se uma verdadeira arte, alcançando um alto nível de especialização a partir do século XVI. Tapetes e tapeçarias de diversas formas, cores, texturas e padrões são utilizados nos diferentes ambientes das residências com o objetivo de satisfazer as necessidades de seus habitantes e proporcionar conforto aos espaços, estendendo-se, por vezes, além da finalidade para a qual foram originalmente concebidos.

Qual é o papel das florestas no nosso dia a dia? De que maneira elas podem se tornar espaços habitáveis? Quais estratégias podem ser implementadas para reduzir o impacto ambiental das nossas construções? No âmbito do Dia Internacional das Florestas, celebrado a cada 21 de março, o objetivo deste ano é conscientizar sobre os vínculos que se estabelecem entre as florestas e o nosso cotidiano. Mesmo com o avanço do desmatamento, as florestas representam uma fonte de grandes benefícios econômicos, sociais e ecológicos.

Em novembro deste ano, a REDBAAL completará sua primeira década de prolífica existência com quatro edições do Prêmio Oscar Niemeyer de Arquitetura Latino-Americana (Prêmio ON), premiação na qual foram apresentados mais de 350 projetos que têm o mérito de terem sido premiados anteriormente nas bienais de arquitetura mais importantes dos países da América Latina.

O conceito de permacultura refere-se a um sistema de design capaz de criar meios ambientes humanos sustentáveis com base em uma ética e em uma série de princípios de design ecológico, ambiental e de resiliência. Ao articular plantas, animais, construções e infraestruturas como água, energia e/ou comunicações, a permacultura analisa as relações possíveis entre esses elementos de acordo com seu posicionamento na paisagem. Seus 12 princípios de design podem ser aplicados em múltiplos projetos de arquitetura de diversas escalas e programas, colaborando, por exemplo, na difusão de novas maneiras de reduzir o consumo de energia nas residências, economizar água por meio da captação de água da chuva ou da reciclagem de águas cinzas para sistemas sanitários, hortas e afins, além de contribuir para a produção de alimentos, entre outras frentes.


As novas residências modernas da Costa Rica são construídas de modo a flutuar sobre a paisagem. Essa vertente de habitações elevadas foi projetada para minimizar o impacto ambiental, ao mesmo tempo em que dialoga com a topografia acidentada. Com o objetivo de se tornar um país neutro em carbono, a Costa Rica está transformando seu mercado imobiliário em resposta à crescente demanda por novos edifícios residenciais.