Romullo Baratto é arquiteto, doutor em arquitetura pela FAUUSP e Gerente Editorial do ArchDaily Global. Coordenou a equipe editorial da 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2017 e atuou como Gerente Editorial do ArchDaily Brasil entre 2019 e 2024, período em que a plataforma conquistou o Prêmio FNA, tornando-se o primeiro veículo de mídia a receber a honraria. Colaborou na edição do livro "Concrete Jungle", publicado pela gestalten, e foi responsável pela curadoria de exposições de arquitetura no Brasil, Chile, Dinamarca e Itália, além de ter realizado palestras e moderações de debates na Espanha, Estados Unidos e Portugal. Sua tese de doutorado, intitulada "Comoções", investiga as paisagens urbanas de São Paulo a partir do cinema. Seu trabalho articula pesquisa acadêmica e prática editorial, comunicando a arquitetura por meio de textos, entrevistas, curadoria e fotografia. Siga no Instagram @romullobf.
Em celebração ao aniversário de 467 anos de São Paulo, a artista urbana Criola presenteou o bairro da Liberdade com um enorme mural. Produzida com a participação do Instagrafite, a obra contou com financiamento da edição especial do Museu de Arte de Rua (MAR) e sugere uma profunda reflexão e resgate de uma longa história como um reduto de resistência preta na cidade, a começar pelo nome do bairro.
Entre 1914 e 1915, Le Corbusier projetava a Maison Dom-Ino, uma proposta de sistema estrutural que subvertia os modelos de então substituindo densas paredes portantes por pilares e lajes de concreto reforçado com aço. Muito mais leve e composto por elementos esbeltos, a este sistema se uniria o uso de grandes superfícies de vidro que garantiriam, de uma só vez, a entrada de higiênica luz solar nos espaços interiores e uma almejada transparência arquitetônica que diluiria as fronteiras entre interior e exterior – ao menos, metaforicamente.
A Escola da Cidade por meio da disciplina Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, em 2017, então coordenada pelo professor José Guilherme Pereira, recebeu a antropóloga e doutora em Ciências Sociais, Manuela Carneiro da Cunha para discutir sobre o histórico, a espacialização e o cotidiano dos povos indígenas no Brasil evidenciando problemáticas do ponto de vista não apenas cultural, mas também legal e ambiental.
Museu do Ipiranga. Foto de Webysther, via Wikipedia. Licença CC BY-SA 4.0
Em comemoração aos 467 anos da cidade de São Paulo, o Museu do Ipiranga lança no dia 25 de janeiro a campanha digital São Paulo – Território em Construção. Por meio da rica iconografia do acervo, e com depoimentos de historiadores, arquitetos e urbanistas, o público será convidado a pensar nas transformações que ocorreram na cidade, desde sua fundação, no período colonial, até chegar à grande metrópole que conhecemos hoje. O conteúdo, em formato de webstories, será disponibilizado em um website que reunirá uma linha do tempo, fotos, pinturas e mapas do acervo, áudios explicativos e vídeos que abordam as transformações do espaço urbano de São Paulo. Também será possível saber mais sobre os principais cartões postais da cidade, como o Pátio do Colégio, a Avenida Paulista e a Avenida Nove de Julho.
Caminho das Missões Jesuítico-Guarani no Rio Grande do Sul. Foto de Halley Pacheco de Oliveira, via Wikipedia. Licença CC BY-SA 3.0
O Iphan anunciou os vencedores da 33ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (Prêmio Rodrigo 2020). As 12 ações selecionadas receberão R$ 20 mil em recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, enquanto que outras cinco foram reconhecidas com menções honrosas. Organizada pelo instituto, a premiação acontece desde 1987 e é a maior na área do Patrimônio Cultural em todo o país, reconhecendo iniciativas de excelência e caráter exemplar.
A Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) anunciou a lista de vencedores do Prêmio APCA 2020. A premiação é dividida em dez categorias, que abrangem arquitetura, artes visuais, cinema, literatura, moda, música popular, rádio, teatro, teatro infantil e televisão.
Desde 2010, a APCA incorporou os críticos de arquitetura, que este ano concederam três prêmios – obra de arquitetura; fronteiras da arquitetura; e urbanidade. Entre as edições de 2011 e 2019 o prêmio compreendeu sempre sete categorias, no entanto, devido à pandemia de coronavírus a edição deste ano foi limitada a três reconhecimentos.
Nos primeiros dois meses do isolamento em decorrência da Covid-19, o designer Ivan Jerônimo acumulou mais de quarenta desenhos que mostram objetos e ambientes de seu apartamento. São cenas comuns mas que, de repente, foram promovidas a primeiro plano durante a pandemia.
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Edifício Faial. Imagem cortesia de AsBEA-RS
Homenagear e reafirmar a importância de ícones modernistas de Porto Alegre: a nova série que a AsBEA-RS lança em seu YouTube convida o público para visitar, na companhia de arquitetos, especialistas de mercado e usuários, seis edifícios dos mais importantes construídos entre as décadas de 50 e 60 na capital gaúcha.
Faial, Santa Tecla, Santa Cruz, Palácio da Justiça, Centro Administrativo Fernando Ferrari e Grêmio Náutico União: seis projetos que marcam o horizonte e reafirmam a qualidade construtiva de obras cinquentenárias agora retomam o legado e as lições de grandes arquitetos gaúchos para o desenvolvimento urbano contemporâneo.
Buraco do Lume. Imagem via Skyscraper City, usuário Leo10Rio
A aprovação do polêmico projeto de legislação apelidado como “Lei do Puxadinho” em meados de 2020, flexibilizando parâmetros urbanísticos na cidade do Rio de Janeiro, suscitou uma série de discussões em vários setores da sociedade, mas sobretudo entre arquitetos e urbanistas, entre os quais muitos têm se manifestado de forma crítica à proposta. O debate, entretanto, se tornou ainda mais intenso quando, sob os auspícios dessa lei, uma emenda foi publicada de surpresa no texto enviado ao Diário Oficial, derrubando por período determinado várias restrições que incidem sobre o terreno do Buraco do Lume, contíguo à Praça oficialmente denominada Mário Lago, importante local manifestações políticas da cidade tombado pelo Município em 1989 e pelo Governo do Estadual em 2019.
Exposição no Centro Cultural São Paulo, parte da edição passada da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
O IABsp, organizador da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, lançou em novembro de 2020, um Concurso de Co-Curadoria da 13ª edição da Bienal, prevista para o ano de 2022. As propostas, que podem ser enviadas pelo site até o dia 24 de janeiro de 2021, serão avaliadas por um júri composto por diferentes áreas do conhecimento, majoritariamente feminino e brasileiro.
A 13ª Bienal traz como provocação central inicial a RECONSTRUÇÃO, partindo da ideia de reedificar, refundir e renovar as relações dos grupos sociais com seus espaços domésticos, dos cidadãos com os espaços públicos e das tramas pessoais e profissionais, que ocorrem nos espaços de confinamento e nos de usos coletivos, durante e depois da pandemia. O Concurso propõe ainda que essa reflexão envolva um ou mais eixos norteadores: democracia, corpos, memória, informação e tecnologia.
Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias. Imagem: Divulgação
A Prefeitura de São Paulo lançou, em dezembro do ano passado, a plataforma digital do Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias, um documento que reúne normas para projetos urbanos alinhados aos princípios de acessibilidade, equidade social, segurança no trânsito e sustentabilidade ambiental. O manual, organizado por Elisabete França, José Renato S. Malhem e Maria Teresa Diniz, visa nortear a elaboração de projetos no espaço viário que atendam às necessidades de bem-estar dos cidadãos.
Desigualdade socioeconômia é um termo com o qual a maioria de nós está familiarizado, no entanto, embora sentida na pele por boa parte da população mundial, permanece relativamente abstrata para muita gente. Torná-la visível é a proposta do fotógrafo Johnny Miller que, através do projeto Unequal Scenes, vem registrando territórios de tensão a partir de uma perspectiva bastante esclarecedora: a imagem aérea.
Iniciado na África do Sul, país social e espacialmente marcado pelo apartheid, o projeto foi recentemente trazido ao Brasil para registrar contextos em que pobreza e riqueza extremas coexistem a poucos metros, mostrando que distância não é apenas uma grandeza fisicamente mensurável, mas também pode assumir aspectos mais complexos, profundamente enraizados em nossa sociedade.
Ter um quintal à disposição e vontade para aprender a cultivar os próprios alimentos unem famílias carentes participantes de um projeto inovador em Roraima. São os ‘Quintais Sustentáveis’, uma iniciativa da Embrapa em parceria com o Lar Fabiano de Cristo (unidade Casa de Timóteo) e fomento do CNPq, que busca estimular a produção e consumo de hortaliças, frutas e plantas medicinais em quintais de Boa Vista.
Iniciado em 2018, o projeto tem em seus pilares a produção sustentável de base agroecológica, a segurança alimentar e nutricional, geração de renda e inclusão social e produtiva de públicos em situação de vulnerabilidade.
Representar o mundo real está, sem nenhuma dúvida, na gênese do cinema, uma arte que nasce da fotografia, posta em sequência para oferecer ao espectador a impressão de movimento. Tão verdade, que o primeiro registro fílmico de que se tem notícia, de 1895, mostrava a chegada de um trem à estação de Ciolat, na França – um acontecimento banal no cotidiano das cidades europeias do século XIX.
Entretanto, por mais que a realidade concreta faça parte do cinema, não se pode negar que o fascínio exercido por esta arte venha, em grande medida, de sua capacidade de criar mundos imaginários, ativar espaços mentais e desencadear emoções. Nesse sentido, o mundo real pode muitas vezes não bastar como combustível, inspiração ou pano de fundo das histórias elaboradas por diretoras e roteiristas, exigindo das equipes de direção de arte e cenografia a criação de realidades outras, imateriais, que sirvam de base para a narrativa.
jardim Botânico em Pequim / URBANUS. Cortesia de Wang Hui
Um dos aspectos mais gratificantes de trabalhar com publicações de arquitetura é a possibilidade de conhecer e se aproximar dos profissionais que estão efetivamente transformando o campo profissional, seja com projetos construídos, especulativos, experimentais, teorias ou, ainda, trabalhos em campos externos à disciplina mas que se relacionam com ela. Nesse sentido, dentre todos os tipos de conteúdo que o ArchDaily se dedica a publicar diariamente, as entrevistas têm um lugar especial: é com elas que nos aproximamos para ouvir o que algumas das vozes mais proeminentes e promissoras têm a dizer sobre o presente e o futuro da arquitetura e das cidades.
Com mais de duzentas entrevistas publicadas em nossas plataformas em inglês, espanhol, português e chinês, realizadas em diferentes formatos – de registros em vídeo, conversas transcritas, entrevistas por email, vídeo-chamada ou, ainda, podcasts –, podemos dizer com toda a certeza que 2020 foi um ano de intenso aprendizado em que, paradoxalmente, nos aproximamos como nunca antes de um grupo inspirador de profissionais da arquitetura.
Expansão de Las Vegas, 1989/2019. Source Imagery courtesy of The European Space Agency (ESA) Paris, France
Os impactos causados pelo ser humano no planeta Terra passaram e ser tema recorrente, e cada vez mais se fala em um caminho sem volta. Aquecimento global, gases de efeito estufa, exploração dos recursos naturais e produção de resíduos sólidos e atmosféricos são alguns dos assuntos mais urgentes com os quais a comunidade global precisa lidar se desejamos um futuro de qualidade para as próximas gerações. Essas questões são tema e podem ser visualizadas em cores e alta definição no novo livro OverviewTimelapse: How We Change the Earth, de Benjamin Grant e Timothy Dougherty, que reúne 250 fotografias feitas por satélite ou drone de regiões em transformação na Terra.
Em um uso revelador de big data, Raj Chetty e seus colegas no Projeto de Igualdade de Oportunidades usaram registros fiscais anônimos para rastrear, a partir da infância, a renda de pessoas que cresceram nos Estados Unidos. Os resultados mostram que os bairros e áreas metropolitanas onde essas pessoas foram criadas têm um grande impacto nas suas perspectivas econômicas durante a vida.
Surpreendentemente, crianças de famílias de baixa renda que crescem em alguns bairros, especialmente aquelas com rendas mistas e níveis mais baixos de segregação racial, se saem melhor economicamente.
A arquiteta Gabriela de Matos, criadora do projeto Arquitetas Negras, foi eleita a Arquiteta do Ano pelo Departamento Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil. Junto dela, o IAB-RJ homenageou também a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em evento online realizado esta semana para o anúncio dos selecionados da 58ª Premiação Anual e do 37º Prêmio Arquiteto do Amanhã.
Dedicando-se a explorar o debate racial de forma interseccional ao debate de gênero, de arquitetura e de cidade, Gabriela destacou em seu discurso a importância de reconhecer que "embora o campo da arquitetura e urbanismo seja ainda um campo elitista e racista, é justamente a formação de arquitetas e arquitetos urbanistas que vejam a arquitetura como ferramenta social, que pode contribuir para a diminuição dos abismos e desigualdades presentes em nossa sociedade".