Romullo Baratto é arquiteto, doutor em arquitetura pela FAUUSP e Gerente Editorial do ArchDaily Global. Coordenou a equipe editorial da 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2017 e atuou como Gerente Editorial do ArchDaily Brasil entre 2019 e 2024, período em que a plataforma conquistou o Prêmio FNA, tornando-se o primeiro veículo de mídia a receber a honraria. Colaborou na edição do livro "Concrete Jungle", publicado pela gestalten, e foi responsável pela curadoria de exposições de arquitetura no Brasil, Chile, Dinamarca e Itália, além de ter realizado palestras e moderações de debates na Espanha, Estados Unidos e Portugal. Sua tese de doutorado, intitulada "Comoções", investiga as paisagens urbanas de São Paulo a partir do cinema. Seu trabalho articula pesquisa acadêmica e prática editorial, comunicando a arquitetura por meio de textos, entrevistas, curadoria e fotografia. Siga no Instagram @romullobf.
Estão abertas as candidaturas para o Prémio Nacional de Arquitetura em Madeira, o PNAM’21. Até 30 de junho de 2021 é possível apresentar candidatura a este prestigiado prêmio da arquitetura portuguesa. O PNAM tem periodicidade bienal e tem como objetivo incentivar e promover a reserva florestal portuguesa através da inovação, valorização, circularidade, promoção e utilização da madeira e seus derivados em edificações.
O escritório de arquitetura português Sastudio, em parceria com o estúdio islandês Huldajons a firma de engenharia Exa Nordic, venceu o concurso internacional de projeto para um jardim de infância em Garðabær, na Islândia. Organizado pela prefeitura da cidade, o concurso prevê a construção do projeto premiado até 2022.
Esta é a segunda colaboração entre os dois estúdios, fundados por Tiago Sá e Hulda Jóns, que trabalharam no Bjarke Ingels Group antes de abrirem seus próprios estúdios. A primeira colaboração da dupla foi outro concurso para um jardim de infância, cuja proposta foi adquirida pela capital islandesa, Reykjavik. Conheça o projeto premiado, acompanhado do memorial descritivo enviado pelos arquitetos, a seguir:
Um transporte em formato de cápsula que se movimenta por propulsão magnética, locomove pessoas e mercadorias a até 1.200 km/h e utiliza energia renovável. Essa ideia futurista pode se tornar realidade no Brasil graças à empresa Hyperloop Transportation Technologies, que desenvolve e licencia o hyperloop – tecnologia de mobilidade urbana criada pelo empresário Elon Musk, da Tesla.
Parecido com um avião sem asas e turbinas, o hyperloop tem capacidade para até 50 passageiros e funciona em um ambiente de baixa pressão, o que permite que ele opere em alta velocidade com quase zero atrito.
Intitulada In Conflict, a participação de Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza 2021 tem curadoria de Carlos Azevedo, João Crisóstomo e Luís Sobral, do escritório depA architects, com participação de Miguel Santos como curador adjunto, e lança luz sobre o espaço público enquanto palco de forças opostas, confronto de ideias e coexistência social. Respondendo diretamente à questão "como viveremos juntos?", posta pelo curador geral da Biennale Architettura, Hashim Sarkis, a participação portuguesa foca em sete projetos de habitação coletiva que foram alvo de confronto e discussão pública.
Conhecido no mundo todo por ter levado ao limite as exprimentações formais com concreto armado, Oscar Niemeyer contou em muitas de suas obras com a imprescindível colaboração de um engenheiro civil tão inventivo e ousado quando o próprio arquiteto: o recifense Joaquim Moreira Cardozo, formado em engenharia civil em 1930 pela Escola de Engenharia de Pernambuco, hoje integrada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Responsável pelo projeto da Escola Rural Alberto Torres, de 1936 – uma obra que, à época, já mostrava sinergia com a arquitetura moderna – Cardozo conheceu Niemeyer quando trabalhava no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), no Rio de Janeiro. À época, desenvolveu o projeto estrutural do Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, inaugurado em 1943, colaboração inicial de uma parceria que duraria 30 anos e que teve nas obras de Brasília seu momento mais prolífico.
Obras do Terminal Intermodal de Campanhã / Nuno Brandão Costa. Fonte: Porto.pt
Com objetivo de conhecer os arquitetos, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa de referência, Sara Nunes, da produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, lançou o podcastNo País dos Arquitectos, em que conversa com importantes nomes da arquitetura portuguesa contemporânea.
No episódio desta semana, Sara conversa com Nuno Brandão Costa sobre o projeto do Terminal Intermodal de Campanhã, no Porto. Reveja as outras entrevistas realizadas pelo podcast No Pais dos Arquitectos e leia a transcrição da entrevista com Costa, a seguir:
"Se você me der seu sapato, poderia dizer com 90% de precisão a cidade no mundo de onde você veio.” Este é o nível de exatidão garantido pelo professor Christopher Mason, da Weill Cornell Medicine, principal autor do primeiro atlas global de microrganismos urbanos. O estudo, desenvolvido pelo Consórcio Internacional Metagenômica e Metadesenho do Metrô e Biomas Urbanos (MetaSUB), que também conta com pesquisadores brasileiros da Fiocruz e da USP, mapeia o microbioma de algumas das maiores cidades do mundo.
Conhecido por seus projetos que se localizam no território de sobreposições entre pesquisa, design, biomimese e sustentabilidade, o Atelier Marko Brajovic desenvolveu recentemente uma proposta para os Laboratórios Criativos da Amazônica, um conjunto de bioesferas compostas por estruturas geodésicas inspiradas pela geometria interna do fruto do cacau. O projeto está alinhado às premissas e propósitos da iniciativa Amazônia 4.0, que visa agregar as potencialidades econômicas da sociobiodiversidade amazônica às novas tecnologias e possibilidades que emergem da Quarta Revolução Industrial.
Com mais de 56 milhões de habitantes divididos entre nove estados, a região Nordeste do Brasil conta com um litoral de aproximadamente três mil quilômetros que vão do Delta do Parnaíba, no Piauí, ao sul da Bahia. Internacionalmente conhecido por suas praias, que realmente fazem jus à fama, a região é tão culturalmente diversa como geograficamente abrangente, apresentando manifestações culturais riquíssimas das quais faz parte a arquitetura.
Celebramos neste artigo a mais trivial das tipologias arquitetônicas, a casa, em exemplos construídos nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Projetos que mostram cuidado primoroso em relação ao entorno e escolha dos materiais ou, ainda, que fogem de estereótipos e lugares-comuns quando se pensa na arquitetura produzida no Nordeste brasileiro.
Proposta da equipe Asa, vencedora do concurso. Image Cortesia de Prefeitura de Belo Horizonte
Em 2019, na data de seu aniversário de fundação, Belo Horizonte ganhou um presente sob a forma de um concurso de arquitetura. De abrangência nacional, o certame buscava reunir estudos técnicos preliminares para a requalificação do conjunto histórico e paisagístico da Avenida Bernardo Monteiro.
Este conjunto, caracterizado pelo maciço arbóreo formado por uma grande quantidade de Ficus de grande porte e copas frondosas, foi acometido por infestações da chamada “mosca-branca-de-ficus”, que causaram desfolhamento e ressecamento de galhos e ramos, levando a um total comprometimento de muitos dos exemplares desta espécie, prejudicando a referência histórico-cultural e o caráter de uso público do local e gerando a necessidade de remanejamento das feiras de artesanato, flores, comidas e antiguidades que aí funcionavam.
Poucos campos da cultura e das artes apresentam tantos pontos de contato com a arquitetura como o cinema. A constatação não é nova e vem sendo debatida no plano teórico por autores de ambas as áreas desde o início do século XX. Em relação à prática, a arquitetura vem buscando incorporar aspectos imateriais do cinema na mesma medida em que este tem servido como meio de discussão, representação e denúncia de temas pertinentes àquela e ao espaço urbano.
Exemplo disso é a produção da dupla ítalo-francesa Bêka & Lemoine, cujos filmes mostram um olhar sensível aos pormenores e singelezas da arquitetura e do espaço urbano. Seu portfólio – composto atualmente por 30 títulos, entre longas e médias-metragens – lança luz sobre o cotidiano urbano de diferentes cidades do mundo e revela uma mirada atenta aos aspectos mais banais da vida humana no espaço.
Usina do Gasômetro. Foto: Ana Paula Hirama, via VisualHunt.com
Porto Alegre ganhou um guia online que tem como objetivo preservar a história e memória de seu patrimônio arquitetônico, antigo e contemporâneo. Idealizado pelos arquitetos e urbanistas Rodrigo Poltosi e Vlademir Roman, o Guia Arqpoa reúne textos, fotografias e informações sobre 100 obras arquitetônicas, urbanísticas, paisagísticas, históricas e culturais da cidade. O mapeamento parte dos edifícios e espaços públicos constantes na publicação impressa lançada em 2017, chamada Guia de Arquitetura de Porto Alegre, e possibilita o incremento desta lista inicial com a colaboração de novos autores.
Foto de Gustavo Minas. Sem título [série Rodoviária], 2015. Arquitetura: Lucio Costa. Cortesia do artista
Quando foi escolhido pela Biennale di Venezia para dirigir a 17ª Exposição Internacional de Arquitetura, Hashim Sarkis desafiou os curadores nacionais a responderem uma pergunta urgente e nada fácil: como viveremos juntos?Nem ele, nem os curadores, nem ninguém esperava o que estaria por vir. Passado um ano e meio de pandemia global, a pergunta assume novos significados e apresenta, certamente, desdobramentos outros que extrapolam qualquer noção previamente vislumbrada pela organização do evento.
Neste contexto de incertezas globais, informada por um país marcado pela desigualdade social, Utopias da vida comum – título da participação brasileira elaborada pelos Arquitetos Associados em colaboração com o designer visual Henrique Penha – busca estabelecer um diálogo entre o passado moderno e um futuro possível (e melhor) para as cidades brasileiras. Tivemos a oportunidade de conversar com o arquiteto Carlos Alberto Maciel sobre a mostra que ocupará o Pavilhão do Brasil na Bienal de Arquitetura de Veneza. Leia a seguir:
Seguindo os temas das edições anteriores do festival que abordaram questões contemporâneas relativas ao ambiente construído, o Arquiteturas Film Festival, que acontecerá entre os dias 1 e 6 de junho em Lisboa, continua a oferecer um fórum aberto para discussão, por meio de histórias audiovisuais pessoais, coletivas e globais vindas de todos os cantos do mundo.
A 8ª edição do Arquiteturas explora o tema Bodies Out of Space através de uma excursão sobre a construção social do espaço conectado a um fio que circula dentro das suas próprias narrativas de dominação. Narrativas também sobre identidade que muitas vezes é retirada ou forçada a representar o nosso corpo. Contra algumas suposições atuais, vemos este paradigma perceptivo — um epítome da visão de nossos tempos — como fundamentalmente social, espacial e corporal.
Grupos e coletivos que trabalham nas bordas do campo disciplinar da arquitetura são, felizmente, cada vez mais comuns. No entanto, raros são aqueles que em tantas frentes distintas se esforçam por expandir os limites da profissão como a Goma Oficina, de São Paulo, composta atualmente por Ana David, André Stefanini, André Bonani, Christian Salmeron, João Wallig, Fernando Banzi, Guilherme Tanaka, Lauro Rocha, Maria Cau Levy, Paula Marujo, Victoria Braga e Vitor Pena.
Entendendo a arquitetura enquanto cultura em seu sentido mais amplo, Goma vem atuando desde 2010 em projetos que se localizam em um território pouco definido, marcado por transdisciplinaridades e sobreposições entre campos distintos. Sua produção mais recente envolve exposições, livros, pesquisas, debates, instalações e maquetes ligados às áreas de arquitetura, design gráfico, fotografia e arte.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
Em seu primeiro episódio, Sara conversou com o arquiteto João Luís Carrilho da Graça sobre seu Terminal de Cruzeiros em Lisboa, e, em seguida, recebeu João Mendes Ribeiro para uma conversa acerca de temas como patrimônio, reuso de antigas estruturas e arquitetura da paisagem, a partir do projeto de reabilitação da estufa do Jardim Botânico de Coimbra. O terceiro encontro foi com a arquiteta Inês Lobo e girou em torno da Biblioteca Pública e o Arquivo Regional de Angra do Heroísmo. A seguir, ouça e leia a conversa que aconteceu no quarto encontro, com Carlos Castanheira sobre o projeto Treetop Walk.
Reabilitação do Mercado do Bolhão. Cortesia de Nuno Valentim
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
No episódio desta semana, Sara conversa com o arquiteto Nuno Valentim sobre a reabilitação do Mercado do Bolhão. Ouça a entrevista e leia a transcrição da conversa, a seguir:
Com pouco mais de dez milhões de haibitantes e praticamente dois terços de sua população vivendo em cidades e áreas urbanizadas, Portugal é, ainda hoje, um dos países mais rurais da Europa. Boa parte da população se distribui ao longo da costa do Oceano Atlântico, concentrando-se sobretudo em Lisboa e Porto, que reúnem quase a metade dos residentes no país, resultando em uma grande faixa interiorana pouco densificada e com caráter predominantente rural.
Apesar da baixa densidade e atmosfera campestre, estas regiões não carecem de arquitetura de qualidade. É possível encontrar inúmeros exemplos de obras – sobretudo residenciais – que merecem atenção pelo modo como se inserem na paisagem, resignificam antigas estruturas, ou rendem homenagem a técnicas vernaculares locais. A seguir, 15 casas de campo que são exemplos disso: