A arquitetura é uma disciplina referencial. Desde os zigurates, máquinas para morar, até os projetos contemporâneos de arranha-céus biofílicos, é impossível saber se as ideias são genuinamente inovadoras ou se já foram conceituadas antes. A inteligência artificial tem acelerado a conversa sobre propriedade intelectual. Conforme milhões de pessoas geram trabalhos gráficos únicos digitando palavras-chave, controvérsias têm surgido, especialmente relacionadas à proteção do trabalho criativo e dos direitos autorais dos arquitetos em suas criações. Portanto, entender o escopo do que é protegido ajuda a determinar se licenças são suficientes, se o longo caminho para o registro de marcas comerciais é válido ou se uma peça gráfica não pode ser protegida e pertence ao domínio público.
O trabalho jornalístico de Koolhaas lhe rendeu fama na arquitetura antes mesmo de ele concluir seu primeiro edifício. A transição de contador de histórias para arquiteto foi mais uma mudança de roteiro do que uma virada profissional. Ele apontou que "[a arquitetura] é uma forma de roteirização que descreve implicitamente as relações humanas e espaciais." Ao reafirmar o papel da arquitetura na definição da vida cotidiana, para além da mera construção de edifícios e cidades, ela se revela também como uma ferramenta escrita e falada capaz de explicar os acontecimentos globais diários, dar voz a projetos que não foram ouvidos e moldar ativamente o futuro da atuação do/a arquiteto/a.
Casas do Futuro. Imagem cortesia de Mossawi studios
A seleção desta semana dos Melhores Projetos Não Construídos destaca residências visionárias enviadas pela comunidade do ArchDaily. De uma casa pré-fabricada para apoiar as vítimas da guerra na Ucrânia a uma casa modular de vários andares apresentada durante a Dutch Design Week, passando por uma villa "moldada" pelo fluxo dos ventos costeiros de Dubai, esta seleção de projetos não construídos demonstra como profissionais de arquitetura vão além do conceito residencial convencional para projetar padrões habitacionais alternativos em resposta a ambientes severos, à natureza e à tecnologia.
Museu Coreano de Urbanismo e Arquitetura | Coreia do Sul. Imagem cortesia de Atelier of spatial matters
A seleção desta semana de melhores propostas de Arquitetura Não Construída destaca centros culturais enviados pela comunidade ArchDaily. De uma galeria em espiral que simboliza a cultura de Jinju na Coreia do Sul e um edifício dedicado à cultura irlandesa a uma galeria que serve como incubadora cultural na Indonésia, esta seleção de projetos não construídos mostra como arquitetos/as, comunidades e instituições se unem para promover cultura, artes, história e reflexão.
Prime Seafood Palace / Omar Gandhi Architect. Imagem cortesia de Omar Gandhi Architect
Ambiciosas e diversas, as maquetes são ferramentas representativas não exclusivas dos arquitetos. O fascínio peculiar pelas miniaturas – e o que elas nos dizem sobre nosso mundo – se estende a todas as idades, culturas e propósitos. Sejam templos de argila feitos em escala em 200 a.C. encontrados no México, modelos de cerâmica carregados durante as viagens islâmicas medievais, casas de bonecas vitorianas e LEGOS, os modelos são mais do que construções infantis. As miniaturas revelam o essencial, explicam conceitos muito mais amplos, contêm dados íntimos e históricos e nos convidam a desafiar nossa subjetividade e a perspectiva daquilo que conhecemos.
O Museu do Sexo de Nova York anunciou sua expansão para Miami em 2023, com um museu de três mil metros quadrados projetado pelo estúdio Snøhetta. O armazém convertido contará com três extensas galerias de exposições, espaço para comércio e um bar para preservar, apresentar e celebrar o significado cultural da sexualidade humana em uma das comunidades artísticas mais vibrantes e diversificadas dos EUA. O programa inaugural contará com o trabalho de Hajime Sorayama e Super Funland: uma jornada ao carnaval erótico, a principal experiência imersiva do museu.
Histórias encenadas sobre comunidade e identidade, a arquitetura temporária mostrou que em 2022 não é preciso ser permanente para ser poderosa. Uma instalação pública direta e pop-up pode passar da preparação para a ação, recuperando e definindo o que torna uma comunidade única. Destacando instalações para reconhecer a diversidade linguística em Nova York, uma mesa gigante para celebrar a culinária em Barcelona e uma grande rede em Dubai para representar a cultura local, entre outros, essas iniciativas buscam entender como as expressões locais e regionais podem ajudar as cidades a ser mais igualitárias e diversas.
A globalização conectou o mundo de maneira sem fronteiras. Embora também tenha tornado a informação mais acessível, levou à homogeneidade e à crise de identidade ao fundir sociedades e expressões culturais únicas. Não há como negar as diferenças culturais com o crescimento da globalização. Assim como a arquitetura produz padrões de vida comuns, ela também pode destacar singularidades. 2022 foi o ano de expressar memórias locais a serem reconhecidas e celebradas, colocando comunidade e identidade como temas centrais na arquitetura temporária em festivais, instalações e pavilhões.
Salone del Mobile 2022. Imagem Cortesia de UNStudio
A 61ª edição do Salone del Mobile transformou seu layout geral e programa, incluindo Euroluce, a icônica Exposição Internacional de Iluminação em Milão. Com curadoria do arquiteto Beppe Finessi, em colaboração com a Formafantasma e o estúdio Lombardini22, a nova versão do Salone del Mobile melhorará a acessibilidade, a feira e a experiência do usuário. Acontecendo de 18 a 23 de abril de 2023 na Rho Fiera Milano, o Salone 2023 se concentrará em escolas e universidades sob o tema "Escola de Design".
A URB desenvolverá em Dubai o maior destino de agroturismo do mundo para fornecer segurança alimentar e promover a sustentabilidade das comunidades, do patrimônio e das paisagens locais. Alinhado com a ambição da cidade de transformar suas áreas rurais em instalações de restauração, o "Agri Hub" visa criar dez mil novos empregos em vários setores, incluindo um novo instituto de pesquisa agrícola e uma fazenda pública para fins educacionais e comerciais.
Praça de São Marcos (Piazza San Marco) durante a inundação (acqua alta). Imagem via Shutterstock | Ihor Serdyukov
A cidade Veneza instalou barreiras de vidro ao redor da famosa Basílica de São Marcos para impedir a entrada de água. A decisão foi tomada após uma inundação em dezembro de 2022, na tentativa de impedir que se repetisse a catástrofe de 2019, quando a elevação das águas causou grandes danos à estrutura, envelhecendo-a “20 anos em um dia”, de acordo com a Procuradoria da Basílica. A estrutura temporária será usada até que o sistema MOSE comece a funcionar plenamente, previsto para o final de 2025, protegendo a centenária basílica, a cidade de Veneza e sua Lagoa contra inundações.
As propostas de empreendimentos urbanos na Disney World vêm de tempos antigos. Um dos últimos projetos visionários de Walt Disney foi o Experimental Prototype Community of Tomorrow (EPCOT), um centro para empresas americanas e para a vida urbana. Disney defendia que os problemas das cidades eram as questões mais críticas para a sociedade e planejou uma cidade que pudesse se desenvolver de forma controlada, na contramão da expansão que os EUA tiveram durante a primeira metade do século passado. Depois de sua morte, em 1966, o conceito "EPCOT" foi abandonado porque a empresa não estava certa sobre a viabilidade de operar uma cidade. Cinquenta e cinco anos depois, após uma pesquisa minuciosa, o Walt Disney World escolheu para isso a Michaels Organization por sua experiência na construção e administração de comunidades habitacionais alcançáveis.
Centro Comercial Tagh Behesht em Teerã, Irã. Imagem cortesia de Rvad Architecture and Design Studio
A seleção desta semana de Melhores Projetos de Arquitetura Não Construída destaca espaços de escritórios enviados pela comunidade do ArchDaily. De uma emissora de TV no Vietnã a um centro comercial inspirado em bazares no Irã, esta seleção de projetos não construídos demonstra como arquitetos/as estruturam espaços corporativos para servirem de modelo para ambientes de trabalho sustentáveis, inovadores e voltados para o futuro.
À medida que o mundo se adapta lentamente ao "novo normal", o mesmo acontece com o setor da arquitetura. Dados relacionados ao tamanho do mercado e ao volume de trabalho mostram que a profissão continuou a crescer mesmo após o início da pandemia. No entanto, outras estatísticas mostram como os/as arquitetos/as estão começando a ser atingidos/as pela crise atual — como a queda no trabalho em tempo integral e o aumento do desemprego. Embora esses dados possam levar ao desespero (ou ao entusiasmo), há mais por trás dos números: mobilidade e competências digitais e gerenciais estão moldando a profissão nos anos 2020. Elas servem não apenas como dados para que o setor aborde o mercado e retenha talentos, mas também como estratégias para enfrentar crises e tecnologias futuras.
Em colaboração com a consultora de arquitetura e engenharia Sweco e o escritório de paisagismo Tredje Natur, a firma Zaha Hadid Architects foi selecionada para projetar o novo estádio de futebol de Aarhus na Dinamarca. Apelidado de "Arena da Floresta", o estádio será inserido na floresta de Marselisborg, oferecendo espaços públicos e locais para eventos durante todo o ano. Com inauguração prevista para 2026, o complexo terá quase 70 mil metros quadrados, incluindo a arena Aarhus e a reforma do edifício adjacente Stadionhallerne, concluído em 1918 pelo arquiteto Axel Høgh-Hansen.
Com o objetivo de reformular a relação entre seres humanos, territórios e globalização, o encontro “Ecologies for Other Architectures” reuniu, durante dois dias em Madri, profissionais emergentes da arquitetura internacional para propor narrativas sobre os ambientes urbanos e suas transformações em curso. Com curadoria do Itinerant Office, no âmbito da rede New Generations, o evento apresentou 7 cenários, 7 modelos e 7 narrativas sobre natureza, tecnologia, corpos, transformação material, solo, participação e os (não) humanos. A montagem do evento utilizou materiais reciclados e estratégias de montagem rápida para garantir impacto zero.
O escritório de arquitetura e design Buchan foi selecionado para liderar o projeto do Pavilhão da Austrália na Expo 2025 em Osaka, no Japão. Sob o tema "Chasing the Sun" (Perseguindo o Sol), a instalação representará a conexão da Austrália com a terra e o Cosmos, exibindo sua rica cultura e sua diversificada cena artística. De 13 de abril a 13 de outubro de 2025, mais de 150 países participarão em um único local, com uma expectativa de atrair 28 milhões de visitantes de todo o mundo.
Os escritórios MVRDV e GRAS anunciaram a conclusão de cinco dos sete edifícios do Projeto Gomila em Palma de Maiorca, na Espanha. O complexo residencial, que originalmente era composto por quatro edifícios existentes, recebeu a adição de três novas estruturas, totalizando 60 novas habitações e novos espaços comerciais. O projeto alinha-se à revitalização do bairro histórico "El Terreno" para transformá-lo em uma área residencial vibrante e sustentável, outrora conhecida por suas casas noturnas boêmias que receberam músicos icônicos como Jimi Hendrix, Ray Charles e Tom Jones.