
Em 2013, Michael Osborne and Carl Benedikt Frey classificaram 702 profissões de acordo com a probabilidade de informatização em um futuro próximo, da menos provável ("terapeuta recreativo/a") à mais provável ("telemarketing"). Os "gestores de arquitetura e engenharia" ficaram em 73º lugar, os "arquitetos/as" em 82º, enquanto os "desenhistas técnicos de arquitetura e engenharia civil" ficaram em 305º lugar. Claramente, os avanços tecnológicos em campos como aprendizado de máquina e robótica nos confrontam rapidamente com as transformações nas demandas e qualificações profissionais. Neste ensaio, Maurizio Ferraris inverte a perspectiva: e se a nossa preocupação não devesse ser a manutenção do elemento humano no trabalho como produção, mas sim o reconhecimento do trabalho humano como consumo? Expandindo os argumentos de seu livro de 2012, "Lasciar tracce: documentalità e architettura", o autor enxerga na automação uma oportunidade extraordinária para definir uma nova centralidade do elemento humano, na medida em que a produção de valor associada ao intercâmbio digital é lida através de três conceitos: invenção, mobilização e consumo.