Kate Wagner

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Paul Andersen e Paul Preissner sobre American Framing

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Kate Wagner conversou com a curadoria do Pavilhão dos EUA na Bienal de Arquitetura de Veneza deste ano sobre questões mais amplas de trabalho, democracia e o ambiente suburbano.

Nota da redação: Até o início de março, a 17ª Mostra Internacional de Arquitetura foi adiada e remarcada para ocorrer de 29 de agosto a novembro de 2020. 

À primeira vista, o tema do Pavilhão dos EUA na Bienal de Arquitetura de Veneza deste ano parece uma escolha segura. De fato, "American Framing" coloca em destaque o sistema construtivo de estrutura leve de madeira (wood framing) que predomina no país há quase dois séculos. No entanto, os curadores da exposição, Paul Andersen e Paul Preissner, também prometem explorar aspectos do sistema que vão além de seus atributos materiais. Kate Wagner, fundadora do projeto McMansion Hell, conversou com a dupla sobre questões mais amplas envolvendo trabalho, democracia e o subúrbio.

Querida Internet: pare de culpar um estilo arquitetônico pela gentrificação

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Este artigo foi publicado originalmente pelo Common Edge como "Architecture, Aesthetic Moralism, and the Crisis of Urban Housing".

Pode chocar algumas pessoas ouvir isso, mas arquitetura não é planejamento urbano. Não é planejamento de transportes, sociologia, ciência política ou geografia crítica. No entanto, a arquitetura — especificamente a arquitetura de novos edifícios de apartamentos — tornou-se um bode expiatório nas redes sociais para a atual crise de habitação urbana: uma gentrificação crescente e impulsionada pelo mercado imobiliário.

Por curiosidade, pesquisei em vários bancos de dados acadêmicos por pesquisas que correlacionassem com sucesso a estética arquitetônica de novos edifícios de apartamentos com a gentrificação. Embora muitos/as autores/as e usuários/as das redes sociais queiram culpar o estilo sem graça, em formato de caixote e dominado por revestimentos da habitação multifamiliar urbana atual pela gentrificação, receio que essa pesquisa não exista. Na verdade, um estudo apresentado em um artigo sobre sistemas de alerta precoce de gentrificação em bairros aponta a arquitetura histórica como um dos cinco preditores de gentrificação na região de Washington, D.C.

A precariedade na profissão da arquitetura no século XXI

Dizem que arquitetos e arquitetas costumam “matar um leão por dia”, dedicando a maior parte do seu tempo à labuta, ou aquilo que costumamos chamar em um escritório de arquitetura de “trabalho braçal”. Dentro da academia, por outro lado, arquitetos em formação passam seus dias aprendendo a serem mais sensíveis para com a paisagem e o espaço construído, a desenvolver a sua criatividade e com isso, propor soluções criativas que procuram respostas para as principais “questões” de nosso tempo. Considerando isso, é evidente que existe um enorme distanciamento entre o ensino da prática da arquitetura e a prática da arquitetura propriamente dita. Enquanto, dentro da academia, nossos futuros profissionais passam a maior parte de sua formação exercitando sua criatividade e desenvolvendo projetos ideais em contextos igualmente idealizados, a vida lá fora é muito diferente disso.