Colin Newton

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O que Blade Runner 2049 pode nos dizer sobre o futuro das cidades?

Deveríamos ter uma palavra específica para esse tipo de filme - um meio termo entre uma sequência e uma releitura - mas não existe, então teremos que chama-lo apenas de Blade Runner 2049. Talvez o filme seja mais sutil na forma como faz referência ao clássico precedente de 1982, o cult distópico dirigido por Ridley Scott, do que outras regravações recentes - Star Wars: The Force Awakens, por exemplo - mas ainda assim há uma série de insinuações bastante óbvias. Por exemplo, é fácil perceber reflexos dos personagens do Blade Runner original em 2049: o detetive particular Rick Deckard tranfigura-se aqui no estóico e desiludido "K"; a femme fatale Rachael se revela em Joi, uma personagem em forma de holograma que é algo entre um humano e uma máquina; o espírito do excêntrico Roy Batty, renasce em Luv, o fascínora; para não mencionar a horda de replicantes entre humanos e policiais suspeitos. Na verdade, o principal elemento que não foi substituído é o próprio cenário do filme, a cidade de Los Angeles. Entretanto, sua arquitetura é surpreendentemente abstrata em relação ao primeiro filme. Por isso, a nova versão de Blade Runner parece desprovida de uma atmosfera cívica, provavelmente concebida de forma intencional.

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Do futuro, Blade Runner 2049 nos fala sobre o presente das cidades

Deveria existir uma palavra para descrever esse tipo de filme que fica no meio do caminho entre sequência e reboot —reinvenção—, mas, como não existe, vamos chamá-lo apenas de Blade Runner 2049, ou melhor, 2049. Este longa é talvez mais sutil na forma como se refere ao clássico distópico de Ridley Scott do que outros reboots como Star Wars: O Despertar da Força, mas não é necessário fazer a comparação.

Por exemplo, é fácil notar acenos a personagens do Blade Runner original em 2049: o detetive particular Rick Deckard agora é o estoico K; a femme fatale Rachael é Joi, uma acompanhante holográfica que oscila no limite entre o robótico e o humano; o insano Roy Batty agora é a assassina Luv. Além disso, não se pode deixar de mencionar o grupo de replicantes que se passam por humanos e policiais com segundas intenções. Na verdade, um dos poucos personagens que não se repete é a cidade de Los Angeles, cuja arquitetura está surpreendentemente diminuta em comparação ao primeiro filme. O resultado final é desprovido de uma alma cívica, por assim dizer, mas talvez esse seja exatamente o ponto.