Amman Design Week 2026 retorna com o tema "Acumulações", explorando as camadas de lugar, matéria e memória

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Após sua última edição em 2019, a Amman Design Week retorna de 2 a 17 de outubro de 2026, reunindo mais de 220 designers e participantes em exposições, instalações, projetos em espaços públicos, palestras, oficinas e performances na Jordânia. A quarta edição acontece em Ras El Ain, Jabal Al Lweibdeh, Jabal Amman, Iraq Al Amir e, pela primeira vez, em Aqaba. Fundado por Sua Majestade a Rainha Rania Al Abdullah em 2016, o evento retorna sob o tema "Acúmulos" (Accumulations), analisando como materiais, memórias, conhecimento, trabalho e práticas cotidianas se acumulam ao longo do tempo e se tornam parte dos lugares que as pessoas habitam. O tema também confere à edição de 2026 uma relação clara com a própria cidade.

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Na curadoria de exposições, Faysal Tabbarah — profissional de arquitetura, educação e curadoria atuante na região e que cofundou o Architecture + Other Things (A+OT) — organizou as obras em torno das conexões entre práticas cotidianas, ambientes materiais e memórias culturais, com cada projeto apresentado ao lado de um "vestígio" que pode assumir a forma de um artefato, documento de arquivo, história oral, ferramenta herdada ou referência ecológica.

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Bisher Tabbaa, Sarah Hejazin, Faysal Tabbarah e Khaled Al-Bashir. Imagem cortesia de Amman Design Week

O retorno também introduz uma nova estrutura de liderança sob o comando de Sarah Hejazin e Bisher Tabbaa, profissionais de arquitetura que cofundaram o estúdio jordaniano de arquitetura e design FADAA. A nomeação de ambos para a codireção coloca a prática arquitetônica na direção de um evento que tem se expandido cada vez mais para além da criação de exposições, abrangendo o espaço público, a educação, a produção local e a programação cultural. Para a edição de 2026, isso se reflete na decisão de trabalhar em edifícios existentes, parques, ruas, locais históricos e paisagens, permitindo que a cidade e seus contextos circundantes se tornem parte da experiência das exposições.

O Hangar e a memória industrial de Amã

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The Hangar. Imagem cortesia de Amman Design Week

A exposição principal começa no Hangar em Ras El Ain, um edifício industrial da década de 1930 originalmente construído para abrigar os geradores de eletricidade que abasteciam Amã durante um período de rápido crescimento urbano. A estrutura, situada no vale entre as colinas da cidade, posteriormente assumiu um novo papel como espaço cultural após sua reabilitação por TURATH: Architecture and Urban Design, em colaboração com o Município da Grande Amã. Seu passado industrial permanece visível no próprio edifício, tornando-o um cenário ideal para uma exposição voltada para as formas como os lugares mudam através de sucessivas camadas de uso. O entorno, composto pelo Parque Ras El Ain, Al Mamsha, Al Mudarraj e o Centro Cultural Al-Hussein, estende a programação para o bairro.

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DASA Architecture Practice / Common Ground no The Hangar. Imagem cortesia de Amman Design Week

No interior do Hangar, a exposição reúne projetos de arquitetura, mobiliário, pesquisa de materiais, publicações e intervenções em espaços públicos que abordam o tema em diferentes escalas. O projeto "Infusing Green Infrastructure in Amman", da Praxis, acompanha três intervenções — uma escadaria, um parque e um terreno não urbanizado —, desenvolvidas por meio do engajamento comunitário, análise do local e pesquisa técnica, investigando como as condições locais informam o projeto do espaço público. "Common Ground", do escritório DASA Architecture Practice, toma o encontro como ponto de partida, utilizando blocos modulares dispostos em uma grelha para criar diferentes possibilidades de interação. O sistema simples deixa em aberto a forma como as pessoas ocupam o espaço, permitindo que o uso social se integre à obra.

As transformações materiais e a passagem do tempo são centrais em outros projetos da exposição. "Al-Mastaba", do Laith Matarweh Studio for Architecture, sobrepõe pedra e concreto em uma estrutura concebida como uma ruína futura, onde vãos entre os blocos e o cascalho antecipam o surgimento gradual de vegetação. Já "Binayah", de Abdulrahman Al Muftah e Huzaima Al Rifai, adentra o ambiente doméstico, inspirando-se nas paisagens em camadas de Amã e nas aberturas verticais das torres tradicionais do Catar para explorar o mobiliário como um elemento arquitetônico habitável. Ambas as propostas consideram objetos e estruturas como elementos que continuam a se transformar por meio da ocupação, das intempéries, da memória e do tempo.

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The Hangar. Imagem cortesia de Amman Design Week

Intervenções permanentes pelo espaço público

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Civil Architecture / Folly. Imagem © ArchDaily

A exposição se estende para o Parque Ras El Ain por meio de uma série de intervenções urbanas permanentes, tornando o espaço público um dos principais palcos para vivenciar a edição de 2026. Os projetos introduzem locais para sentar, reunir-se, brincar e circular pelo parque, com materiais e formas desenvolvidos em resposta à paisagem existente. "Folly", do escritório Civil Architecture, instala uma cobertura de telhas cerâmicas entre as árvores do parque, aproveitando as aberturas na copa para criar um espaço de convivência sombreado. As telhas foram desenvolvidas e fabricadas na Jordânia pela Haswa, conectando o projeto diretamente à produção local e à cultura material que o envolve.

Próximo dali, "Nawwarat Amman", de Abeer Anabtawi, transforma uma grande área de concreto aparente em uma quadra de basquete cujas imagens remetem a tomates, camomila, folhas de malva e trigo. Essas plantas e cultivos familiares refletem elementos dos mercados, da culinária e da vida doméstica cotidiana de Amã, trazendo-os para um espaço voltado prioritariamente ao lazer. Por sua vez, "Domes of the Rock", de Mohamad Nahleh, apropria-se de outro elemento cotidiano do parque — um poste de iluminação posicionado acima de um banco de pedra — e o conecta à história estrutural do Domo da Rocha, em Jerusalém. Sua forma em madeira e aço, em meia escala, chama a atenção para as sucessivas reformas, reforços e reconstruções do monumento, ao mesmo tempo em que continua a funcionar como iluminação e assento.

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Abeer Anabtawi / Nawwarat Amman. Imagem © ArchDaily

Outra intervenção localiza-se em Jabal Al Lweibdeh, no cruzamento da Faculdade Ash Shariah. "Ard Al Sahn", de Ziad Jamaleddine e Makram el Kadi, do escritório L.E.FT, em conjunto com Iheb Guermazi e Beya Othmani, estende o espaço público que circunda a Mesquita Shariah em direção à rua, transformando um cruzamento existente em um local capaz de atender tanto a mesquita quanto a vizinhança. Resíduos de pedra local são utilizados para moldar uma superfície orientada em direção à Qibla, enquanto árvores floridas e bebedouros para pássaros introduzem sombra e atividade ecológica. O projeto conecta a vida religiosa e social da mesquita ao espaço urbano mais amplo, conferindo uma nova função cívica a um elemento de infraestrutura antes negligenciado.

A programação ampliada, com curadoria de Khaled Al-Bashir — atuante nas áreas de arquitetura, curadoria e pesquisa, além de liderar o setor de Artes e Cultura da Darat al Funun – The Khalid Shoman Foundation —, inclui oficinas, palestras, debates, caminhadas, performances, residências e ativações contínuas, distribuídas pelos diversos espaços do evento. Uma das discussões, intitulada "Como se constrói o valor arquitetônico?", acontecerá no dia 3 de outubro no Al Mudarraj, em Ras El Ain, reunindo Laith Matarweh, Ali Ismail Karimi do Civil Architecture, Rana Beiruti e Ziad Jamaleddine do L.E.FT, com mediação de Christele Harrouk, que lidera a redação do ArchDaily.

O painel integra o eixo "Práticas e Processos" e examina como o valor arquitetônico e suas narrativas são construídos ao longo do tempo. Quem participa traz perspectivas da prática, pesquisa de design, curadoria e crítica de arquitetura, refletindo sobre como os escritórios estabelecem suas identidades, como o reconhecimento e a avaliação moldam o campo profissional e como o discurso crítico influencia quais trabalhos ganham visibilidade e como são compreendidos. A conversa também se alinha de perto a uma das preocupações centrais de "Acúmulos": as maneiras pelas quais o trabalho arquitetônico ganha significado por meio do uso, da interpretação, do reconhecimento e das histórias construídas ao seu redor.

Das residências de Amã à paisagem de Iraq Al Amir

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Qasr Al-Abd, Iraq Al-Amir. Imagem © Freedom's Falcon via Wikimedia Commons

Os demais locais do evento dão continuidade a esse movimento por diferentes camadas da arquitetura e da paisagem jordanianas. Em Jabal Al Lweibdeh, a Darat Abu Adnan, uma casa restaurada da década de 1950 construída para a família Abu Hassan, torna-se um dos cenários principais da programação de 2026. Sua arquitetura reflete um período em Amã no qual as influências internacionais eram adaptadas aos materiais locais, às necessidades domésticas e à dinâmica de transformação da cidade, permitindo que o próprio edifício se integre ao contexto do evento. Em Iraq Al Amir, o design contemporâneo se insere em uma paisagem arqueológica e agrícola muito mais antiga. O Qasr Al Abd, datado do período helenístico, é construído com blocos de pedra monumentais e cercado por cavernas, nascentes, terraços agrícolas e olivais, trazendo uma outra dimensão temporal para o debate sobre arquitetura e lugar.

O retorno da Amman Design Week se dá em uma cidade onde edifícios, infraestrutura, paisagens e práticas cotidianas continuam se acumulando e se transformando mutuamente. A história industrial do Hangar, as árvores e a infraestrutura pública do Parque Ras El Ain, a arquitetura doméstica de Jabal Al Lweibdeh, a paisagem arqueológica de Iraq Al Amir e o cenário costeiro de Aqaba oferecem, cada um à sua maneira, um ponto de partida diferente para o tema. Ao longo desses locais, "Acúmulos" conecta o design contemporâneo ao que já foi construído, habitado, reparado, lembrado e produzido, posicionando cada novo projeto como mais uma camada na evolução da paisagem arquitetônica e cultural da Jordânia.

Outros eventos de arquitetura recentes também examinam as forças que moldam o projeto e o ambiente construído. A 9ª Trienal de Arquitetura de Oslo questionou "E se a natureza viesse primeiro?" por meio de exposições, seminários e oficinas realizados este ano, enquanto a TAB 2026, em Tallinn, reflete sobre como o custo, a escassez e as restrições influenciam a produção arquitetônica sob o questionamento "Quanto?". Mais adiante, a segunda Bienal de Arquitetura de Copenhague, programada de 9 de setembro a 15 de outubro de 2027, explorará o tema "Elementos", com foco no fogo, terra, ar e água, bem como na longeva relação da arquitetura com essas forças.

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Sobre este autor
Cita: Reyyan Dogan. "Amman Design Week 2026 retorna com o tema "Acumulações", explorando as camadas de lugar, matéria e memória" [Amman Design Week 2026 Returns with "Accumulations," Exploring the Layers of Place, Material, and Memory] 02 Out 2026. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1186220/amman-design-week-2026-retorna-com-o-tema-acumulacoes-explorando-as-camadas-de-lugar-materia-e-memoria> ISSN 0719-8906

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