Um mundo intermediário: o papel das formas híbridas nos banheiros contemporâneos

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Quando uma forma ainda é considerada circular ou retangular? No modernismo do século XX, essa pergunta praticamente não existia. A arquitetura se apoiava na clareza, na redução e na pureza formal. Sob a influência de arquitetos/as como Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe, o design modernista estabeleceu uma ordem visual baseada na geometria racional, em materiais industriais e na rejeição ao ornamento. Círculo e quadrado, função e expressão eram mantidos rigorosamente separados — uma lógica que ditou, por décadas, os layouts rígidos e modulares dos banheiros tradicionais.

Hoje, muitos interiores contemporâneos ainda mantêm essa clareza e minimalismo, mas introduzem transições mais suaves entre formas e geometrias. Com o tempo, essas divisões rígidas começaram a se diluir. Geometrias que antes pertenciam a diferentes sistemas de ordenação agora se manifestam em um único objeto contínuo. Nesse contexto, a Dornbracht, em parceria com a Sieger Design, desenvolveu a linha Coya: um metal sanitário que transita entre as geometrias circular e retilínea. Sua forma resiste a classificações simples como redonda ou angulosa, mantendo-se contida e fundamentada em uma redução formal minimalista, frequentemente descrita como um "squircle" (um híbrido de círculo e quadrado). Como observa Caroline Schmitt, da direção geral da Dornbracht:

Com sua forma híbrida, a Coya une mundos muito diferentes. Por isso, é ideal para espaços projetados de forma personalizada, que não seguem um estilo único e rígido, mas sim múltiplos conceitos ao mesmo tempo.

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Série Coya da Dornbracht, projetada por Sieger Design. Imagem cortesia de Dornbracht

Projetando entre opostos

Como a primeira linha lançada sob o conceito de marca "Inspiring your vision" da Dornbracht, a Coya marca uma transição na maneira como os metais são posicionados no espaço interno para fazer a mediação entre diferentes geometrias. Em toda a coleção, da bica às canoplas e acionadores, aplica-se a mesma lógica formal. Transições suaves substituem as arestas vivas, e cada componente é modelado como um elemento contínuo, em vez de uma peça isolada. O/A designer Michael Sieger descreve essa abordagem como uma exploração da contradição:

A Coya não é redonda nem angulosa e, portanto, desafia classificações claras. À primeira vista, parece surpreendente, quase contraintuitiva. No entanto, ao mesmo tempo, revela-se incrivelmente coerente.

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Série Coya da Dornbracht, projetada por Sieger Design. Imagem cortesia de Dornbracht

Mudanças na interpretação da contradição

A ideia de contradição surgiu sob diferentes formas ao longo da história da arquitetura, cada uma carregando um significado distinto em seu próprio contexto. Na década de 1960, a hegemonia da clareza modernista já vinha sendo questionada. O/A arquiteto/a e teórico/a Robert Venturi, em seu livro *Complexidade e Contradição em Arquitetura* (1966), argumentou contra a redução como um princípio universal. Em oposição à ortodoxia modernista, propôs a ambiguidade, a sobreposição de camadas e a inconsistência formal como estratégias arquitetônicas válidas. Sua famosa frase "Menos é um tédio" contrapunha-se diretamente ao clássico "Menos é mais", de Ludwig Mies van der Rohe. Uma forma como a Coya demonstra que o princípio do "Menos é mais" não precisa se traduzir em ângulos rígidos e afiados. Em vez disso, ela abarca geometrias sutis de transição, sem a necessidade de introduzir ornamentos desnecessários.

O pós-modernismo seguiu essa trajetória, introduzindo referências históricas, ornamentos e geometrias compostas. No entanto, a lógica de combinar sistemas é anterior a esse período. O Art Déco, surgido na década de 1920, uniu a abstração geométrica ao artesanato e às formas aerodinâmicas, mesclando simetria, curvas e a estética industrial moderna em uma única linguagem visual. Antes disso, a arquitetura eclética do século XIX já reunia referências de diferentes períodos históricos em composições unificadas, resultando em edifícios definidos pela pluralidade estilística, e não pela pureza formal.

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Série Coya da Dornbracht, projetada por Sieger Design. Imagem cortesia de Dornbracht
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Série Coya da Dornbracht, projetada por Sieger Design. Imagem cortesia de Dornbracht

Um mediador entre geometrias

Já no design contemporâneo, a clareza formal e as abordagens híbridas costumam coexistir em vez de se oporem. Interiores residenciais e do setor de hospitalidade frequentemente combinam a redução com a expressão, geometrias minimalistas com a sobreposição de materiais, e ordens espaciais rígidas com intervenções mais fluidas. Definidos pela precisão técnica e pelo uso frequente, os banheiros, em especial, tornam-se espaços onde pequenas decisões formais geram um grande impacto espacial.

Dentro desse contexto, metais como os da linha Coya são definidos não apenas por sua forma, mas também pela superfície, acabamento e sua relação com os materiais circundantes — a exemplo do contraste entre um misturador cromado e uma cuba de pedra marrom. Disponível em uma variedade de acabamentos, incluindo Cromo, Champagne (Ouro 22k) e Bronze Escovado, a série traduz suas transições formais em diferentes expressões de superfície, nas quais a luz, a textura e o tom alteram sutilmente a percepção da geometria.

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Série Coya da Dornbracht, projetada por Sieger Design. Imagem cortesia de Dornbracht

A presença de geometrias híbridas é visível tanto na escala do design de interiores quanto na do design de produto. A questão já não é se as formas pertencem a uma estratégia geométrica única, mas sim como elas se resolvem de maneira diferente no uso cotidiano do espaço. Isso se reflete em metais como os da linha Coya, em que o círculo e o quadrado se conectam por meio de transições graduais, permitindo que a proporção, o detalhe e o material definam uma leitura contínua da forma no ambiente do banheiro.

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Sobre este autor
Cita: Buchberger, Kiana. "Um mundo intermediário: o papel das formas híbridas nos banheiros contemporâneos" [A World in Between: The Role of Hybrid Forms in Contemporary Bathrooms ] 08 Jul 2026. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1093821/um-mundo-intermediario-o-papel-das-formas-hibridas-nos-banheiros-contemporaneos> ISSN 0719-8906

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